body diary #1 com Sara da Silva Diniz

 

 

Olá Sara, podes contar-nos um bocadinho sobre ti:

O meu nome é Sara, tenho 37 e sou enfermeira de profissão.

Há uns anos vivia só para trabalhar e de há três anos a esta parte que abraço uma vida mais slow dando valor às pequenas coisas que a vida nos tem para oferecer. O simples facto de fazer o meu slowcoffee e apreciar a vista da minha janela.

Deixei dois dos meus três empregos e agora sou apenas enfermeira de bloco operatório a 35 horas semanais.

A par desta arte do cuidar, tinjo tecidos de forma natural, aproveitando o melhor que a mãe natureza tem para nos oferecer. Amo colocar mesas em ocasiões especiais, sempre respeitando o meio ambiente. Compro local e sazonal e tento ao máximo viver uma vida com menos desperdício. Desperdício em todo o sentido da palavra. Viver mais devagar veio ajudar-me a conectar mais comigo.

Como é nos dias de hoje a relação que tens com o teu corpo?

Eu e o meu corpo temos uma relação incrível de cumplicidade. Ele “sustenta-me” no sentido de que passo horas e horas e horas a dar-lhe carga e ele sempre lá a corresponder. Mimo-o muito. Mas muito mesmo. Com aqueles dias de não fazer nada, só estar, para “ele” a dar-lhe descanso. Massagens todas as semanas, treino personalizado também todas as semanas. Portanto, toda uma equipa multidisciplinar a tomar conta dele para que se aguente por muitos mais anos.

Como é que a lesão no joelho mudou a forma como te conectas com o teu corpo?

A lesão no joelho veio trazer essa conexão. Fui obrigada a parar, escutar e actuar consoante o meu corpo permitia. Foi como voltar a aprender a andar, sabes. Hoje dou muito mais atenção a pequenos sinais que “ele” me envia. E quando assim é, é para parar respeitar/respeitá-lo. Estou muito mais desperta e atenta, muito mais conectada comigo. 

O que é para ti aceitação plena do corpo que tens, e como foi para ti, ver o corpo mudar, à medida que deixaste de treinar tanto?

Pergunta difícil a aceitação plena é este respeito maior que tenho pelo meu corpo. Respeitá-lo acima de qualquer vontade minha. É olhar para ele e sentir um amor enorme, porque “ele” apesar de tudo, nunca me deixou ficar mal. Passei por muito para começar a amá-lo de dentro para fora, foi um processo.
Vejamos: tenho duas mamas saudáveis, dois rins saudáveis, um coração que bate de forma sincronizada, tenho um pâncreas que funciona tão bem que continuo sem contrair a diabetes Tenho um estômago que não dá “nós”, um intestino certinho como um relógio suíço. E aí por diante. Se a máquina é perfeita, como não a adorar?! 

Porque tenho estrias? Que adoro e que são sinal de todo o meu percurso?! Porque tenho celulite? Sinal que sou uma mulher real? É tudo uma questão de perspectiva, no verdadeiro sentido da palavra.

Deixei de treinar tanto, mas comecei a viver bem mais. 

Nos dias em que a  tua voz interior está mais crítica com o teu corpo, o que fazes para contornar?

Bebo um copo de vinho e peço ao Denis, o meu marido, para me acompanhar. 

Partilha connosco uma ferramenta que te ajuda na conexão com o corpo

Fazer Amor. Simples. Conecta-me ao meu corpo e conecta-me ao Denis. O meu corpo também é dele o corpo dele também é meu. Esta conexão a dois, de dois corpos para mim é única. 

E para terminar, se tivesses de escrever hoje no diário do teu corpo, o que é que lhe dirias?

Obrigada. Obrigada por me acompanhares nesta aventura de ser enfermeira, de passar noites sem dormir, de estares sempre alerta e pronto para mais um dia. Seja no fast living seja no slowliving. Sou muito agradecida pelo corpo maravilhoso que tenho. 

A Sara já esteve no Officina Podcast, podes ouvi-la aqui:

https://holistica.pt/ep40