body diary #3 com Dina Fonseca

Olá Dina, podes contar-nos um pouco sobre ti? 

Olá Cláudia, sim 🙂

Sou uma mulher em constante busca de mim mesma. Uma apaixonada pela vida e pelos seus mistérios. Sou mãe de um rapaz de 10 anos, o Noah. É ele quem me inspira a ser melhor todos os dias. Amo dançar, escrever, cantar, estar na Natureza e conhecer pessoas abertas à vida.

Trabalho na cura e empoderamento de mulheres, através da ferramenta corpo. O meu trabalho é o que me move a aprofundar as minhas profundezas e a trazer beleza ao mundo. Adoro o que faço, sou muito abençoada.

Sabemos que o corpo fala connosco, como o escutar?

Parando. Dando tempo para que ele nos fale em verdade. A chave para escutar o corpo é não desejar rigorosamente nada e ficar apenas aberta, disponível, presente na respiração. No que é a cada momento, tal como é. O caminho de reconexão com o corpo mostra-nos que é através da simplicidade que a magia acontece. Precisamos de sair da cabeça e voltar para o corpo. Escutando e observando os próprios movimentos da Mãe Terra. Inspirando e expirando. Expandindo e contraindo. 

Como é que a respiração nos conecta com o corpo e com quem somos?

Entramos na vida com uma primeira inspiração e saímos dela com uma última expiração. A vida na matéria acontece ao mesmo ritmo com que respiramos. Ou seja, a forma como respiramos dita a forma como vivemos. Quem escolhemos ser, é de facto a nossa maior escolha. Precisamos entender de uma vez por todas que somos os grandes co-criadores da nossa realidade e a respiração é o fio condutor dessa manifestação. Muda a forma como respiras e a tua vida mudará num todo.

Ao longo da tua vida, como tens trabalhado a nível pessoal a tua relação com o corpo?

De várias formas, mas a forma que mais me conecta e expande é a dança. A dança da Alma, do coração. O movimento consciente, que abre caminhos internos, que revela quem sou e para onde devo dirigir-me a cada instante. Para a cura acontecer é necessário uma total presença no corpo e a dança dá-me essa oportunidade, abre-me essa janela sem esforço.

O que é a que sexualidade nos diz sobre nós e o nosso corpo?

Como um grande renascedor disse: “90% da população nasce de um ato sexual, os restantes 10% nascem de um ato de amor”. E isso explica o lugar onde nos encontramos enquanto humanidade e sociedade. Enquanto vivermos a sexualidade como um fim a atingir, meramente focado em nós e no que está fora, continuaremos a viver em dor e esforço. A energia sexual é a energia do Cosmos, que está em nós como uma fonte de criação, para que nos possamos recordar que somos parte desta grande manifestação que é o Todo. Curar a sexualidade é a chave para a cura de todas as maleitas que vivemos no mundo de hoje. Vivemos em corpos condicionados, repletos de memórias de dor e abuso. É um processo demorado, contudo essencial para a libertação e expansão de todos os seres humanos.

Partilha connosco um ritual de aceitação do nosso corpo.

Colocar uma música profunda, criar um espaço sagrado e inspirador e com o corpo completamente nu, respirar de forma ativa, pés bem assentes no chão e deixar que a música desperte a dança da alma. Lentamente ir escutando os pedidos do corpo e sem culpa, medo ou vergonha ir honrando cada um deles. Respeitando e sentindo o ritmo interno, o convite do mergulho. Se conectada em verdade, dançar frente a um espelho e contemplar os desenhos do corpo, sem julgamento. Tocar toda a extensão da pele de forma lenta e gostosa, explorar vários movimentos e pressões. Cheirar a pele, mordiscar, sentir, abrir espaço para que o corpo sensual se revele em amor. A energia da sensualidade quando ativada no corpo, lembra-nos a perfeição que somos.

E para terminar, se tivesses de escrever hoje no diário do teu corpo, o que é que escreverias?

És maravilhoso. Proporcionas-me todo o tipo de sensações, mostras-me a potência de que sou feita. És o meu maior aliado e eu sei que estás sempre a trabalhar a meu favor. Perdoa-me por todas as vezes que ainda te negligencio, estou a aprender a amar-te e respeitar-te. Todos os dias me ensinas algo novo, mas o que eu mais amo em ti é que mesmo nos dias em que me esqueço de ti por preguiça ou medo, tu nunca me abandonas. Dás sempre o melhor de ti. Amo-te meu grande amor. Vamos ainda viver muitas aventuras juntos.